Painel Olfativo - Eu Perfumista

Fazer perfume é decidir quais materiais entram, em que proporção e com qual função, e depois comparar o resultado com o que você tinha em mente. Antes da fórmula vem o nariz: você só consegue compor com materiais que já conhece pelo cheiro. Este guia mostra o que separar para começar, por onde estudar e como sair da primeira mistura para um perfume pronto.

O que você precisa para começar?

Não é preciso montar um laboratório. Para os primeiros meses, isto basta:

  • Um conjunto de estudo. O Painel Olfativo - Eu Perfumista é um kit para treinar o olfato e estudar famílias olfativas. Os materiais chegam já diluídos em álcool, com fitas olfativas e um suporte para organizar as fitas usadas. Há três modelos: Químicos Aromáticos, Óleos Essenciais e os dois juntos.
  • Fitas Olfativas. São as tiras de papel em que você avalia cada material e cada versão da fórmula. Identifique cada fita antes de mergulhar.
  • Uma balança de precisão. Escolha uma que pese as pequenas adições que você planeja fazer (não vendemos balanças).
  • Pipetas. A Pipeta Pasteur Plástica 3ml serve para transferir o material do frasco para o recipiente da pesagem. Use uma pipeta por material e nunca devolva sobras ao frasco original: uma matéria-prima contaminada estraga as comparações seguintes.
  • Álcool Neutro. É o veículo do perfume alcoólico. Pela ficha, é etanol, um líquido incolor e límpido com ponto de fulgor de 18 °C: inflamável em temperatura ambiente. Trabalhe ventilado e longe de chama.
  • DPG. Solvente líquido, incolor e levemente viscoso, útil para preparar soluções de trabalho de materiais muito potentes ou sólidos. O ponto de fulgor da ficha é 137 °C.
  • Frascos de vidro, etiquetas e um caderno. Tudo que entra na bancada leva nome, data e, se for diluição, a concentração e o solvente.

Até a 51ª emenda, não há padrão IFRA para o Álcool Neutro nem para o DPG.

Primeiro passo: treinar o nariz

Comece cheirando materiais isolados, não perfumes prontos. Pegue um material por vez, molhe uma fita e anote o que percebe na hora, depois de alguns minutos e no dia seguinte. Use palavras suas: seco, cremoso, verde, metálico, balsâmico. A descrição comercial ajuda, mas o que vale é o que você sentiu.

Um painel de estudo resolve dois problemas de quem está começando. Os materiais já vêm diluídos, então você não precisa preparar dezenas de soluções antes de cheirar. E eles cobrem várias famílias de uma vez, o que dá repertório para o primeiro acorde.

Como definir o perfume antes de escolher ingredientes?

Escreva uma frase curta: "floral transparente", "amadeirado seco", "resinoso adocicado". Depois anote o que deve aparecer e o que deve ficar em segundo plano. Essa direção é o que vai dizer se um ingrediente está ajudando a composição ou só deixando a fórmula mais complicada.

Saída, corpo e fundo descrevem como o cheiro evolui: a saída são as primeiras impressões, o corpo é o caráter que se forma depois, e o fundo é o que fica por último. Use essas ideias para pensar a função de cada material (abrir, ligar as notas, dar textura, sustentar), e não como uma pirâmide que precisa ser preenchida com porcentagens fixas.

Quais materiais usar no primeiro acorde?

Poucos. Três a cinco materiais que você já estudou na fita são suficientes para entender como um interfere no outro. Pense na função de cada um, por exemplo:

  • Iso E Super: madeira macia e difusa, que costuma dar corpo e ligar as notas. Tem padrão IFRA, com limite de 20% no perfume (categoria 4) na 51ª emenda.
  • Hedione: um floral transparente e arejado. Até a 51ª emenda, não há padrão IFRA para esta substância.

Essas são sugestões de partida, não receita. Antes de usar qualquer material, confira na página do produto se ele tem limite IFRA.

Por que pesar em vez de contar gotas?

Porque a gota muda de tamanho conforme o líquido e a pipeta. Duas pessoas contando "dez gotas" não pesam a mesma coisa, e nem você vai repetir o mesmo resultado na semana seguinte.

Escreva a fórmula em gramas e em porcentagem por massa; a soma dá 100%. Anote a massa que realmente caiu no frasco, não só a planejada. Se passou do ponto, recalcule a composição antes de avaliar, ou você vai julgar uma fórmula diferente da que está no papel.

Concentrado e perfume: qual a diferença?

O concentrado é a mistura das matérias-primas. O perfume é esse concentrado depois de diluído no veículo, que no perfume alcoólico é o Álcool Neutro. São duas fórmulas diferentes, e vale registrar as duas separadas: a participação de um material no acorde não é a mesma que a concentração dele no perfume que vai para o frasco.

Ao diluir, observe se a mistura fica límpida e homogênea. Não acrescente água por hábito: mudar o veículo muda a solubilidade e pode turvar o perfume.

Como contar os materiais que já vêm diluídos?

Uma diluição é matéria-prima mais solvente. Se você pesou 1 g de um material a 10%, entrou 0,1 g do material e 0,9 g de solvente. Esse solvente também faz parte da fórmula e entra na conta. Anote sempre qual é: álcool, DPG ou outro.

A porcentagem escrita no frasco da diluição é só a concentração de trabalho. Ela não é a dose recomendada nem um limite de segurança.

Como ajustar a fórmula?

Guarde sempre uma versão de referência e compare cada nova versão com ela, mudando uma coisa por vez. Antes de trocar ingredientes, procure a causa: um material diferente com nome parecido, uma diluição esquecida na conta, uma proporção que mudou.

Cuidado com duas confusões comuns. Um material muito perceptível não está necessariamente bem integrado: veja se ele sustenta a direção ou encobre o resto. E um fundo que dura muito não é sinal de fórmula boa; uma saída breve pode estar fazendo exatamente o papel dela.

Preciso deixar o perfume descansar?

Deixar o perfume repousar e reavaliar depois é prática comum, mas não existe um prazo que sirva para qualquer composição. Anote a data de preparo e compare o cheiro e o aspecto em datas definidas. Se o perfume turvar ou separar, investigue os materiais e o veículo; esperar mais não resolve um problema de solubilidade.

E a segurança do perfume pronto?

A avaliação na fita vem antes de qualquer uso. Para o perfume pronto, o que manda é a concentração de cada material no produto final, comparada com os limites da IFRA para a categoria 4 (perfume). Quando a ficha do produto traz um limite, ele está na página do material.

Perguntas frequentes

Dá para fazer perfume em casa?
Dá. Com materiais para estudar, fitas olfativas, balança, pipetas, Álcool Neutro e um caderno, você já formula e avalia as primeiras versões.

Por onde um iniciante deve começar?
Pelo nariz. Estude materiais isolados, como os do Painel Olfativo, antes de montar o primeiro acorde com poucos ingredientes.

Posso medir os ingredientes em gotas?
Para aprender, pese. A gota varia de tamanho, e sem peso você não consegue repetir uma fórmula.

Preciso usar só óleos essenciais?
Não. A perfumaria usa óleos essenciais, químicos aromáticos e bases. A escolha depende do cheiro que você quer construir.

Existe uma porcentagem de concentrado que serve para todo perfume?
Não. Ela depende da composição, dos limites IFRA dos materiais usados e do tipo de produto.

O perfume ficou turvo. O que fazer?
Verifique a solubilidade dos materiais e se entrou água ou outro solvente no veículo. Turvo não significa pronto, e límpido não garante segurança.


Comece pelo Painel Olfativo - Eu Perfumista e, para as diluições de trabalho, pelo DPG.

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